Desde 2016 que Cristina Lamas tem vindo a desenvolver um longo e denso trabalho artístico que, faseadamente, tem vindo a ser apresentado em várias ocasiões e locais (Marginália P.21, na Travessa da Ermida; Selva, com Francisca Carvalho, na Brotéria; Pororoca, na Fundação Carmona e Costa). Extinção dá nome à exposição que a artista agora apresenta, assumindo o desenvolvimento natural deste processo.
Numa visão multifacetada e complexa, Cristina Lamas assume que a ligação entre natureza e cultura pode manifestar uma simbiose e um sentido inclusivo da vida.
Essa ligação consolida-se com a origem e evolução que as espécies assumem (do endémico ao cruzado), mas também com as manifestações culturais que a sociedade opera (da memória à comunicação, ou da língua ao imaginário de referência).
As obras que a artista apresenta, assumem uma sobreposição de vivências e práticas distintas que abolem classificações e hierarquias para reclamar um lugar de intersecção e convergência. Em boa verdade, o corpo, a presença e a memória de cada um destes elementos, engendram novas leituras de referências que se afirmam transversais.
Sérgio Fazenda Rodrigues